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por Alicia Ava Rose 05/07/20, 12:06 am

Alicia Ava Rose

Alicia Ava Rose
Morte e Humildade
”I've had my eye on you. Now I'm gonna rip yours out.”


06 de Dezembro de 2012, Dinan, França.

O cheiro pútrido de carne em decomposição passeava pelas ruelas do vilarejo. Cada suspiro dos moradores de rua era interrompido pelo vento gelado e cortante. Acomodavam-se nos becos os desalojados, os sem teto e os abandonados, faziam-no pelo frio, faziam-no para suportá-lo. Mesmo assim, alguns ainda morriam congelados. Os que trabalhavam na escuridão da noite mantinham-se aquecidos com fortes drinques – algumas vezes Alicia também os bebia.

Naquele dia de inverno, seu trabalho era tão simples quanto a tênue linha entre vida e morte daqueles “aldeões”. Julgavam-na capaz de tudo; a Assassina da Noite era como a chamavam. Entre outros afazeres, seu objetivo era um só: caçar. Levar comida aos mais necessitados também a rendia dinheiro – e prestígio. Além do barulhento e gélido vento de inverno, ao longe pela floresta também se ouviam os uivos lupinos. Teremos lobo no jantar, brincou um de seus “chefes”.

Dentre todas as outras criaturas, caçar um animal nunca fora de fato um gozo. Para Alicia, pelo menos, era mais prazeroso perseguir e matar humanos. Mas assim se sucedeu. No derradeiro instante daquele dia lá estava ela; o bosque a sua frente com suas árvores altas e de finas copas. Preparava-se mentalmente como quem tentava montar um plano, mas sabia que planos nem sempre davam certo. Suas adagas, uma em cada mão, brilhavam com a luz da lua e esperavam ansiosamente por um golpe fatal.

— Pessoas dependem de mim. — inspirou fundo e atirou-se floresta a dentro.

Correndo pelas matas como se conhecesse o caminho, nenhum galho, pedra ou tronco a atrapalhava – não mais. Tantos anos morando e caçando no mesmo lugar concederam-na certa experiência local. Sagaz como outros caçadores da região, Evelynn colocava fitas nas árvores para se localizar, assim também o fazia para manter distância das alcateias. Não demorou muito e logo parou. Respirou. Estava perto de algo e podia ouvi-lo.

Encostando-se em uma árvore, apoiou uma de suas mãos e atenciosamente olhou ao redor. O farfalhar de pássaros ao norte. Um bando animal correndo ao sul e...

— Áuu-uu! — uivos vindos do Oeste.

Sabia que naquele momento em diante deveria ter mais cuidado. Sabia que deveria evitar um confronto. Pois os lobos não eram como humanos, mas sim predadores letais inseridos em seu habitat natural. Andou na direção do uivo apenas para estimar uma distância e então evitá-lo. Depois de alguns passos chegou ao lago. Avistou sua primeira oportunidade: um cervo, sozinho.

Seu desejo “obscuro” pela caça misturava-se à ideia de entender o que vem além da vida. Seu medo pelo desconhecido nunca existira. Tratava, assim, a morte como um ritual de passagem ou algum tipo de arrebatamento, mas nem sempre fora assim. Cada ano que se passava, mais desenvolviam-se suas ideias e conceitos a respeito. Um insano – e talvez psicótico – ideal se havia criado e hoje, para Evelynn, a morte não passava de seu próprio rejuvenescimento.

Matava para viver, vivia para matar.
Animais para sobrevivência, humanos pelo prazer.

Não foi difícil alcançar sem assustá-lo. Sua afinidade com o terreno a fez chegar silenciosamente no animal que nem notou sua presença. Era como se as sombras a envolvessem e fizessem dela parte da escuridão. Um só ser, uma só entidade. Anos depois descobriria o porquê, mas ainda não o entendia. Quando se aproximou o suficiente jogou-se e num pulo alcançou seu pescoço. Suas adagas fincadas na carne sugavam a energia vital daquela pobre criatura que partira em disparada.

Temendo pela vida, o animal saltitava tentando desgarrar a humana de suas costas. Evelynn fazia, porém, um corte cada vez mais profundo que por fim acabou matando-o em seguida. Caída no chão junta ao cervo, olhava seus olhos que fitavam o além, olhos de quem podia ver uma luz no fim da escuridão. Ali mesmo, antes de fechá-los em sinal de respeito, rezou e agradeceu pela vida e pela morte, pelo rejuvenescimento que a carne traria. Lembro que depois de alguns segundos a garota assustou-se.

Um par de olhos espreitava pela mata a sua frente. Os uivos, distantes, estavam um pouco mais perto – havia percebido. Das simples “bolinhas” brilhantes, surgiu um lobo. Este que a olhava como predador selvagem que era. Tentaria ela escapar daquele lugar ou confrontaria um dos animais mais perigosos daquela floresta? Encarou-o, ainda caída, levantando-se calmamente. O lobo rosnou. Ela também rosnou. Não deixaria ser intimidada, não permitiria ter a si mesmo como presa daquela história.

O lobo avançou.

Agarrou firmemente suas facas antes da criatura pular em sua direção, mas não fora o suficiente, uma delas pulou de suas mãos. Na falha tentativa de se esquivar, viu-se caída no chão com o lupino por cima. Rápido e feroz. Foi tão momentâneo que Ava não fora capaz de contra atacá-lo. Ele tentava mordê-la a qualquer custo, mas suas duas mãos o empurravam pelo pescoço. A faca, mal posicionada, nem chegava encostar o fio da navalha. O principal no momento era não ser mordida. Com toda sua força, adrenalina e medo, empurrou o primo-canino para trás chutando-o na barriga.

Rolou e levantou.

Estava com apenas uma das adagas e não tinha tempo para procurar pela outra. O calor da emoção correu novamente pelas suas veias e dessa vez quem atacou não foi ele. Avançou num só passo para chutar no outro, que o acertou no dorso fazendo-o rolar. Não abalado, o lobo levantou, rosnou e uivou...

— Áuuu!

— Droga — praguejou.

Aquilo não era bom. Em alguns instantes poderiam chegar outros da alcateia. Quando o lobo parou e chamou pelo bando, a garota, sem hesitar, avançou novamente contra ele e rolaram terra abaixo. Caíram por alguns metros. Tentou-a morder novamente e teria tido sucesso se não fosse a ponta de metal fincada em seu pescoço. Os olhos, antes raivosos, naquele instante pediam por misericórdia. Alicia o compreendia. Fincou profundamente antes de tirá-la por completo. O corpo caiu ao seu lado, estirado e com a boca aberta.

— Sinto muito. — disse em meio à respiração ofegante. Fechou os olhos do bicho.

Levantou cambaleante tentando retomar a consciência do instinto. O céu estrelado era perfeito naquela escura noite longe da cidade, pensou. Com as mãos ensanguentadas, enxugou o suor com sua blusa parcialmente úmida e subiu os poucos metros que havia caído. Calmo e sereno, o lago refletia o mundo como um espelho. Agachou-se a fim de lavar suas mãos, braços, rosto... Pode ver sua face ainda paralisada por toda adrenalina; uma criança pela idade, e adulta na vida. Subitamente o medo correu pela espinha. O que lhe havia feito isso? O medo há fizera esquecer que mais lobos estavam por vir.

Levantou-se aflita e com medo de ser tarde demais. Permitiu-se voltar ao início (onde estava o cervo) para procurar pela outra adaga. Queria pensar que não estivesse tarde demais, queria acreditar que não. Sabia que não teria perdido muito longe, logo a achou. Recompôs-se novamente e pensou de fato em não levar qualquer parte do cervo, mas não o podia. Sua ambição falou mais alto. Precisava tanto do dinheiro quanto ajudar seus amigos.

Cortou um modesto pedaço de carne bom para cozinhar, sabia qual, colocou-o em sua saco-de-costas e correu. Pronto, já deu. Não demoraria sequer mais um segundo naquela floresta. Gostava de matar homens, que são burros, não animais ferozes com elevado instinto de sobrevivência. Homens temem a morte. Correu novamente pela mata como se estivesse em casa até que... Não estava sozinha.

(continua no próximo one-post)


Considerar:

#1

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por Baco 08/07/20, 03:56 pm

Baco

Baco
Deus Olimpiano
Deus Olimpiano
Alicia Ava Rose escreveu:
Morte e Humildade
”I've had my eye on you. Now I'm gonna rip yours out.”


06 de Dezembro de 2012, Dinan, França.

O cheiro pútrido de carne em decomposição passeava pelas ruelas do vilarejo. Cada suspiro dos moradores de rua era interrompido pelo vento gelado e cortante. Acomodavam-se nos becos os desalojados, os sem teto e os abandonados, faziam-no pelo frio, faziam-no para suportá-lo. Mesmo assim, alguns ainda morriam congelados. Os que trabalhavam na escuridão da noite mantinham-se aquecidos com fortes drinques – algumas vezes Alicia também os bebia.

Naquele dia de inverno, seu trabalho era tão simples quanto a tênue linha entre vida e morte daqueles “aldeões”. Julgavam-na capaz de tudo; a Assassina da Noite era como a chamavam. Entre outros afazeres, seu objetivo era um só: caçar. Levar comida aos mais necessitados também a rendia dinheiro – e prestígio. Além do barulhento e gélido vento de inverno, ao longe pela floresta também se ouviam os uivos lupinos. Teremos lobo no jantar, brincou um de seus “chefes”.

Dentre todas as outras criaturas, caçar um animal nunca fora de fato um gozo. Para Alicia, pelo menos, era mais prazeroso perseguir e matar humanos. Mas assim se sucedeu. No derradeiro instante daquele dia lá estava ela; o bosque a sua frente com suas árvores altas e de finas copas. Preparava-se mentalmente como quem tentava montar um plano, mas sabia que planos nem sempre davam certo. Suas adagas, uma em cada mão, brilhavam com a luz da lua e esperavam ansiosamente por um golpe fatal.

— Pessoas dependem de mim. — inspirou fundo e atirou-se floresta a dentro.

Correndo pelas matas como se conhecesse o caminho, nenhum galho, pedra ou tronco a atrapalhava – não mais. Tantos anos morando e caçando no mesmo lugar concederam-na certa experiência local. Sagaz como outros caçadores da região, Evelynn colocava fitas nas árvores para se localizar, assim também o fazia para manter distância das alcateias. Não demorou muito e logo parou. Respirou. Estava perto de algo e podia ouvi-lo.

Encostando-se em uma árvore, apoiou uma de suas mãos e atenciosamente olhou ao redor. O farfalhar de pássaros ao norte. Um bando animal correndo ao sul e...

— Áuu-uu! — uivos vindos do Oeste.

Sabia que naquele momento em diante deveria ter mais cuidado. Sabia que deveria evitar um confronto. Pois os lobos não eram como humanos, mas sim predadores letais inseridos em seu habitat natural. Andou na direção do uivo apenas para estimar uma distância e então evitá-lo. Depois de alguns passos chegou ao lago. Avistou sua primeira oportunidade: um cervo, sozinho.

Seu desejo “obscuro” pela caça misturava-se à ideia de entender o que vem além da vida. Seu medo pelo desconhecido nunca existira. Tratava, assim, a morte como um ritual de passagem ou algum tipo de arrebatamento, mas nem sempre fora assim. Cada ano que se passava, mais desenvolviam-se suas ideias e conceitos a respeito. Um insano – e talvez psicótico – ideal se havia criado e hoje, para Evelynn, a morte não passava de seu próprio rejuvenescimento.

Matava para viver, vivia para matar.
Animais para sobrevivência, humanos pelo prazer.

Não foi difícil alcançar sem assustá-lo. Sua afinidade com o terreno a fez chegar silenciosamente no animal que nem notou sua presença. Era como se as sombras a envolvessem e fizessem dela parte da escuridão. Um só ser, uma só entidade. Anos depois descobriria o porquê, mas ainda não o entendia. Quando se aproximou o suficiente jogou-se e num pulo alcançou seu pescoço. Suas adagas fincadas na carne sugavam a energia vital daquela pobre criatura que partira em disparada.

Temendo pela vida, o animal saltitava tentando desgarrar a humana de suas costas. Evelynn fazia, porém, um corte cada vez mais profundo que por fim acabou matando-o em seguida. Caída no chão junta ao cervo, olhava seus olhos que fitavam o além, olhos de quem podia ver uma luz no fim da escuridão. Ali mesmo, antes de fechá-los em sinal de respeito, rezou e agradeceu pela vida e pela morte, pelo rejuvenescimento que a carne traria. Lembro que depois de alguns segundos a garota assustou-se.

Um par de olhos espreitava pela mata a sua frente. Os uivos, distantes, estavam um pouco mais perto – havia percebido. Das simples “bolinhas” brilhantes, surgiu um lobo. Este que a olhava como predador selvagem que era. Tentaria ela escapar daquele lugar ou confrontaria um dos animais mais perigosos daquela floresta? Encarou-o, ainda caída, levantando-se calmamente. O lobo rosnou. Ela também rosnou. Não deixaria ser intimidada, não permitiria ter a si mesmo como presa daquela história.

O lobo avançou.

Agarrou firmemente suas facas antes da criatura pular em sua direção, mas não fora o suficiente, uma delas pulou de suas mãos. Na falha tentativa de se esquivar, viu-se caída no chão com o lupino por cima. Rápido e feroz. Foi tão momentâneo que Ava não fora capaz de contra atacá-lo. Ele tentava mordê-la a qualquer custo, mas suas duas mãos o empurravam pelo pescoço. A faca, mal posicionada, nem chegava encostar o fio da navalha. O principal no momento era não ser mordida. Com toda sua força, adrenalina e medo, empurrou o primo-canino para trás chutando-o na barriga.

Rolou e levantou.

Estava com apenas uma das adagas e não tinha tempo para procurar pela outra. O calor da emoção correu novamente pelas suas veias e dessa vez quem atacou não foi ele. Avançou num só passo para chutar no outro, que o acertou no dorso fazendo-o rolar. Não abalado, o lobo levantou, rosnou e uivou...

— Áuuu!

— Droga — praguejou.

Aquilo não era bom. Em alguns instantes poderiam chegar outros da alcateia. Quando o lobo parou e chamou pelo bando, a garota, sem hesitar, avançou novamente contra ele e rolaram terra abaixo. Caíram por alguns metros. Tentou-a morder novamente e teria tido sucesso se não fosse a ponta de metal fincada em seu pescoço. Os olhos, antes raivosos, naquele instante pediam por misericórdia. Alicia o compreendia. Fincou profundamente antes de tirá-la por completo. O corpo caiu ao seu lado, estirado e com a boca aberta.

— Sinto muito. — disse em meio à respiração ofegante. Fechou os olhos do bicho.

Levantou cambaleante tentando retomar a consciência do instinto. O céu estrelado era perfeito naquela escura noite longe da cidade, pensou. Com as mãos ensanguentadas, enxugou o suor com sua blusa parcialmente úmida e subiu os poucos metros que havia caído. Calmo e sereno, o lago refletia o mundo como um espelho. Agachou-se a fim de lavar suas mãos, braços, rosto... Pode ver sua face ainda paralisada por toda adrenalina; uma criança pela idade, e adulta na vida. Subitamente o medo correu pela espinha. O que lhe havia feito isso? O medo há fizera esquecer que mais lobos estavam por vir.

Levantou-se aflita e com medo de ser tarde demais. Permitiu-se voltar ao início (onde estava o cervo) para procurar pela outra adaga. Queria pensar que não estivesse tarde demais, queria acreditar que não. Sabia que não teria perdido muito longe, logo a achou. Recompôs-se novamente e pensou de fato em não levar qualquer parte do cervo, mas não o podia. Sua ambição falou mais alto. Precisava tanto do dinheiro quanto ajudar seus amigos.

Cortou um modesto pedaço de carne bom para cozinhar, sabia qual, colocou-o em sua saco-de-costas e correu. Pronto, já deu. Não demoraria sequer mais um segundo naquela floresta. Gostava de matar homens, que são burros, não animais ferozes com elevado instinto de sobrevivência. Homens temem a morte. Correu novamente pela mata como se estivesse em casa até que... Não estava sozinha.

(continua no próximo one-post)


Considerar:

AVALIAÇÃO

Gostei do desenvolvimento do personagem e a narrativa é envolvente (além disso poderia ter pedido o couro do lobo ou do cervo). Ganharia vários prêmios, PORÉM:

1 - Não seguiu e não apresentou o formulário presente no tutorial de One-Posts Livres: https://pjheroisdoolimporpg.forumeiros.com/t1232-tutorial-de-missoes-one-post?highlight=Tutorial

2 - Usou duas armas que não possui (no caso adagas) para matar os inimigos, além de demonstrar uma capacidade de agilidade, furtividade e combate desproporcionais pra um semideus indefinido level 1.

3 - Não apresentou um desfecho para a história. Alicia é uma semideusa ? Como era o seu passado e como será seu futuro ? Iria continuar no vilarejo ? Não precisa ser um desfecho TOTAL da história, mas pelo menos das questões levantadas no começo da narrativa.

Se quiser, pode editar essa mesma One-Post para que se adeque e posta-la novamente abaixo.

#2

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